Tragédias, mais uma vez: Deus e Sandy

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Furacão Sandy em Nova York
Toda vez que uma catástrofe ou tragédia de grande proporção atinge o mundo retorna à blogosfera a questão do mal e do sofrimento dos inocentes em um mundo governado por um Deus bom e Todo-Poderoso. É o caso do furacão Sandy, que nestes dias tem causado uma enorme destruição e a morte de dezenas de pessoas nos Estados Unidos e outros países.

De longa data o mal que existe no mundo vem sendo usado como uma tentativa de se provar de que Deus não existe, ou se existe, não é bom. E se for bom, não é todo-poderoso - esta última hipótese defendida pelo teísmo aberto.

"Onde estava Deus quando estas tragédias aconteceram?" é a pergunta de pessoas revoltadas com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos.

Eu entendo a preocupação com o dilema moral que tragédias representam quando vistas a partir do conceito cristão histórico e tradicional de Deus. Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?

Creio que qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são:

  • A realidade da queda moral e espiritual do homem 
  • O caráter santo e justo de Deus.

Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As conseqüências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas conseqüências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpadeles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes.

Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As conseqüências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e portantosujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de idéias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores.

De acordo com a Bíblia:

  • Foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). 
  • Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). 
  • Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). 
  • Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). 
  • Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). 
  • Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). 
  • Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). 
  • Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. 
  • Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). 
  • E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

O que eu quero dizer é que, diante das tragédias e  acidentes devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Poderia ser eu que estava entre as vítimas do furacão Sandy. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que todas as vítimas fossem os melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de Deus, Bonfim. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

Por último, preciso deixar claro duas coisas.

Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele.

Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando uma tragédia acontece. Não conhecemos a vida das vítimas e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade.

Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.

[Este post foi baseado num outro post da minha autoria aqui no blog intitulado Carta a Bonfim: Deus e as Tragédias]

Fonte: O Tempora! O Mores!

Objeções ao pós-milenismo.

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Importante: O texto à seguir é de autoria de Louis Berkhof (1873-1957), teólogo sistemático reformado cujas obras têm sido muito influentes na teologia Calvinista da América do Norte e da América Latina. Ensinou por quase quatro décadas no Calvin Theological Seminary. 

a. A idéia fundamental da doutrina segundo a qual o mundo inteiro será gradativamente ganho para Cristo, a vida de todas as nações será transformada pelo Evangelho no transcurso do tempo, a justiça e a paz reinarão supremas, e as bênçãos do Espírito serão derramadas mais copiosamente que antes, de sorte que a igreja experimentará um período de prosperidade sem par imediatamente antes da vinda do Senhor – não está em harmonia com o retrato do fim do século que se vê na Escritura. Na verdade a Escritura ensina que o Evangelho se espalhará pelo mundo todo e exercerá uma influencia benéfica, mas não nos leva a esperar a conversão do mundo, nem nesta nem numa era vindoura. Ela salienta o fato de que a época imediatamente anterior ao fim será uma época de grande apostasia, de tribulação e perseguição, uma época em que a fé se esfriará a muitos, e em que os que são leais a Cristo serão submetidos a cruéis sofrimentos, e nalguns casos até selarão com seu sangue a sua confissão, Mt 24.6-14, 21, 22; Lc 18.8; 21.25-28; 2 Ts 2.3-12; 2 Tm 3.1-6; Ap 13. Naturalmente os pós-milenistas não podem ignorar por completo o que se diz acerca da apostasia e da tribulação que marcarão o fim da história, mas eles o subestimam e o descrevem como se predissesse uma apostasia e uma tribulação em pequena escala, que não afetarão o fluxo principal da vida religiosa. Sua expectação de uma gloriosa condição da igreja no fim se baseia em passagens que contêm uma descrição figurada, quer da dispensação do Evangelho como um todo, quer da perfeita ventura do reino externo de Jesus Cristo. 

b. A idéia correlata de que a presente era não acabará numa grande mudança cataclísmica, mas passará numa transição quase imperceptível para a era vindoura, é igualmente antibíblica. A Bíblia nos ensina de maneira muito explícita que uma catástrofe, ou uma intervenção especial de Deus, dará cabo do governo de Satanás sobre a terra e introduzirá o Reino que não poderá ser abalado, Mt 24.29-31, 35-44; Hb 12.26,27; 2 Pe 3.10-13. Haverá uma crise, uma transformação tão grande, que pode ser chamada “regeneração”, Mt 19.28. Assim como os crentes não se santificam progressivamente nesta existência até estarem praticamente prontos para, sem muita mudança mais, entrar no céu, o mundo também não será purificado gradativamente, aprontando-se deste modo para entrar no estágio subseqüente. Justamente como os crentes ainda terão que submeter-se a uma grande mudança a operar-se na morte, assim o mundo sofrerá uma tremenda mudança quando chegar o fim. Haverá novos céus e nova terra, Ap 21.1. 
Gráfico descritivo da posição pós-milenista.

c. A idéia moderna de que a evolução natural e os esforços do homem no campo da educação, da reforma social e da legislação produzirão gradativamente o reinado perfeito do espírito cristão, entra em conflito com tudo quanto a palavra de Deus ensina sobre este ponto. Não é a obra do homem, mas, sim, a de Deus que introduz o glorioso reino de Deus. Este reino não pode ser estabelecido pelos meios naturais, mas somente por meios sobrenaturais. É o reinado de Deus, estabelecido e reconhecido nos corações do Seu povo, e este reinado jamais o podem tornar efetivos os meios puramente naturais. A civilização sem a regeneração, sem uma transformação sobrenatural do coração, jamais produzirá um milênio, um governo eficaz e glorioso de Jesus Cristo. Dá para ver que as experiências do segundo quartel deste século devem ter imposto esta verdade ao homem moderno. O tão decantado desenvolvimento do homem ainda não nos levou a vislumbrar o milênio.

Fonte: Amilenismo

Acorda Igreja protestante!

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Estamos no mês da comemoração da Reforma Protestante e temos que relembrar as obras feitas pelos reformadores e entre os mais conhecidos, Lutero e Calvino. 

Em por menores, os dois não só lutaram contra as heresias do romanismo e dos liber
tinos, mas também apoiaram que a Igreja seja parceira do Estado e que a Igreja interaja com a Escola, dando-lhes fundamentos bíblicos doutrinários para que haja uma sociedade conhecedora de Deus e filhos em escolas que aprendam sobre o Deus soberano. Como disse Calvino, Deus por intermédio destes ensinos pode despertar o pecador eleito para o arrependimento.

Mas ao passar dos anos a Igreja, se assim pode se chamar, voltou as práticas romanista mas com outro rotulo e se desprendendo do Estado e das escolas, dizendo eles, que são uniões demoníacas e que não agradam a Deus, Igreja é Igreja e Estado é Estado e cada um no seu quadrado (me desculpem do termo usado).

Hoje, quase já não há mais, igrejas reformadas interessada que todo o mundo siga a Palavra de Deus, mesmo não sendo salvos. Mas há hoje, e muito, igrejas reclamantes que não têm temor de Deus e não leem a Santa Palavra de Deus e que não percebem o agir soberano de Deus por intermédio de governadores e reis. Para estes, aconselho que vejam este vídeo de um deputado, que aparentemente, não expressa uma devoção sincera ao cristianismo protestante reformado mas tenho que o aplaudir pelo o seu desempenho para que acorde os pastores e lideres evangélicos que não sabem e nem se segue o que a Reforma fez. Observe.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SBrLHTDLt10

As Naturezas de Cristo

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 Welerson Alves Duarte. 

1. AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO: Cristo é o Mediador entre Deus e o homem e não obstante ser uma só Pessoa, Ele é o Deus e homem, ao mesmo tempo. Essa constituição está acima de nossa capacidade de compreendê-la e a Bíblia se refere a ela como um mistério (I Tim. 3:16).

 Franklin Ferreira e Alan Myatt dizem o seguinte a este respeito:

 E a formulação clássica da pessoa de Cristo inclui três proposições que nossa exegese do Novo Testamento revela. Em Cristo, temos duas naturezas em uma só pessoa, ou seja: (1) Cristo é verdadeiramente Deus, (2) Cristo é verdadeiramente humano e (3) Cristo é uma só pessoa. Há nele duas naturezas, divina e humana, claramente distintas e substancialmente diferentes, mas “inconfundíveis e imutáveis, indivisíveis e inseparáveis” (F. Ferreira e A. Myatt, Teologia Sistemática, São Paulo: Editora Vida Nova, 2007, p. 510)

 A não aceitação dessa doutrina tem sido a responsável por muitas controvérsias doutrinárias e pelo surgimento de heresias quanto a doutrina de Cristo, através dos tempos. O docetismo, o apolinarismo e o eutiquianismo negaram a humanidade de Cristo. O ebionismo, o adocionismo e o arianismo negaram a divindade de Cristo. Além dessas podemos citar ainda o nestorianismo que negava a união pessoal de Cristo e o sabelianismo, que juntamente com o modalismo, negaram a distinção entre o Pai e o Filho.

 As heresias citadas acima e qualquer outro sistema que deixar de considerar a realidade das duas naturezas de Cristo, subsistindo harmoniosamente numa única pessoa, estará se afastando do ensino bíblico.

 1.1. A natureza Divina de Cristo.

 Fazia-se necessário que o Redentor fosse Deus visto que só Deus é capaz de salvar. Só Deus pode vencer o poder do pecado trazendo pecadores à vida eterna. Atanásio, combatendo o arianismo, disse:

 Uma criatura não podia unir a criatura a Deus; uma parte da criação não pode alcançar a salvação à criação, ela mesma tendo necessidade de salvação. (...) Uma criatura não teria podido criar. Uma criatura não podia de modo algum nos resgatar (Atanásio, Contra arianos II.69; Ad Adelphium 8; Ad Maximum 3).

O homem já havia demonstrado ser incapaz de render obediência completa a Deus, de modo que seu redentor precisava ser alguém que tivesse esse poder, além do que precisava ser alguém com poder sobre a vida já que precisa entrega-la e toma-la de volta vencendo assim a morte. Só Deus tem esse poder.

 A divindade de Cristo pode ser visto através de diversos fatores. Podemos, por exemplo, ver a natureza divina de Cristo no fato dele ser apresentado no Novo Testamento como sendo preexistente. Em João 1.3 ele é chamado de Criador enquanto que em I Co. 15.47 é dito que ele veio ao mundo, descendo dos céus. 

Outro fator que demonstra a divindade de Cristo são os atributos divinos a ele atribuídos no Novo Testamento. Eternidade (Jo. 17.5), imutabilidade (Hb 13.8), onipresença (Mt 18.20), onisciência (Jo 2.23), onipotência (Jo 5.17), entre outros, são atributos divinos aplicados a Cristo. 

Além das perfeições, ou atributos, divinos atribuídos a Cristo, obras divinas também são atribuídas a Cristo no Novo Testamento: criação (Jo 1.3); milagres (Jo 5.21); concessão de vida eterna (Jo 10.28), entre outras.

 Leandro Antonio de Lima diz o seguinte:

 No Novo Testamento, a divindade de Jesus está muito clara. O Novo Testamento atribui a Jesus uma série de poderes que somente podem ser atribuídos a Deus. O próprio Jesus usou, em relação a si mesmo, expressões que são conotativamente divinas. Jesus disse aos judeus: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58). Claramente essa é uma referência à sua eternidade, e somente Deus é eterno. A própria expressão “Eu Sou”, dessa passagem, é um eco do que Deus disse a Moisés quando ele se revelou na sarça ardente: “Eu sou o que sou” (Ex 3.14). (...) Jesus disse ainda: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”(Mt 28.18), o que é uma referência clara à sua onipotência. O mesmo pode ser dito de sua onipresença, pois ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28.20). Sua onisciência, por outro lado, pode ser vista no fato de que ele conhecia os pensamentos dos seres humanos (Mt 9.4; 12.25; 22.18; Lc 5.22; 6.8).

 Somente Deus pode ser adorado. Pedro, Paulo e os anjos recusaram adoração (At 10.25, 26; 14.14, 15; Ap 22.8, 9), mas Jesus aceitou e até incentivou, como pode ser visto de suas próprias palavras: “Vós me chamais o Mestre e o Senhor, e dizeis bem; porque eu o sou” (Jo 13.13; ver Mt 14.33; Lc 5.8; 24.52; Jo 4.10; 20.27-29). (...) Somente Deus pode perdoar pecados, e Jesus perdoou pecados, como no caso do paralítico que foi descido pelo telhado diante dele. (...) O mesmo ele fez com a mulher pecadora que lhe ungiu os pés (...). 

Aquele que perdoou pecados, que recebeu adoração, que demonstrou consciência de atributos divinos, com certeza, era muito mais do que um homem (L. A. De Lima, Razão da Esperança – Teologia Para Hoje, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, pp 232, 233). 

1.2. A Natureza Humana de Cristo. 

A doutrina da humanidade de Cristo trouxe menos controvérsia que a doutrina da divindade, porém aquela doutrina não é menos importante que esta. Sua importância pode ser vista no fato de que se Cristo não tivesse assumido uma natureza humana real não poderia haver salvação já que só um homem poderia ser substituto da humanidade.

 Assim como a divindade pode ser percebida através de alguns fatores a humanidade de Cristo também o pode.


Podemos ver a humanidade de Cristo no fato de serem atribuídos a ele títulos que indicam humanidade: “homem” (I Tim. 2:5); “filho do homem” (Mat. 13:37); “semente da mulher” (Gen. 3:15); “semente de Abraão”(Atos 3:25); “filho de Davi” (Luc. 1:32) e “nascido de mulher” (Gal. 4:4). 

Sua humanidade também pode ser vista no fato de ter ele um corpo e de apresentar limitações tanto físicas quanto intelectuais: fome, sono, sede, etc. (Luc. 2:52). 

Leandro A de Lima diz:

 Jesus sentia sede, fome, cansaço, tristeza, e muitos outros tipos de sentimentos, necessidades e limitações que são próprias de um homem. É verdade que ele possuía o poder de fazer o que quisesse conforme sua divindade lhe conferia, mas isso não anulava as suas condições humanas. Após os quarenta dias de jejum no deserto, a Bíblia simplesmente diz que Jesus teve fome (Mt 4.2). Durante a sua viagem pela Galiléia, João o descreve como um viajante cansado que se aproxima de uma poço com sede (Jo 4.6-8). Em outra ocasião, o vemos profundamente adormecido na popa da embarcação durante uma tempestade no mar, o que certamente denotava esgotamento físico (Mc 4.36-41). A maior prova de suas limitações humanas, e que comprovam a sua humanidade, foi a sua própria morte. Ele realmente morreu, tendo padecido dores e privações humanas antes e durante a crucificação (Mt 26.38; Jo 19.28) (Ibid, p.237). 

1.3. A Necessidade das Duas Naturezas de Cristo. 

Para que Cristo pudesse ser o Redentor, precisava ser tanto homem quanto Deus. A queda exige um sacrifício e esse sacrifício devia ser humano uma vez que a promessa de morte foi feita ao homem. Deste modo só um homem podia morrer pelo homem. No entanto, a morte de um homem qualquer não podia nos resgatar. Precisava ser alguém que tivesse o poder de dar a vida e toma-la de volta, ou seja, precisava ser divino.

 Só uma natureza divina poderia sustentar a natureza humana impedindo-a de cair. Só uma natureza divina poderia dar valor e eficácia aos sofrimentos e obediência a Deus Ao mesmo tempo só uma natureza humana poderia substituir o homem em sua necessidade de obediência a Deus e no sofrimento da punição do pecado. É preciso, no entanto, deixar claro que são duas naturezas, mas não duas pessoas. 

Louis Berkhof diz o seguinte: 

Há somente uma pessoa no Mediador, e essa pessoa é o imutável Filho de Deus. Na encarnação Ele não se mudou numa pessoa humana, nem adotou uma pessoa humana. Simplesmente assumiu a natureza humana, que não se tornou uma personalidade independente, mas se tornou pessoal na pessoa do Filho de Deus. Sendo uma só pessoa divina, que possuía a natureza divina desde a eternidade, assumiu uma natureza humana e agora tem as duas naturezas. Depois de assumir uma natureza humana a pessoa do Mediador não é apenas Divina, mas Divino-humana; é agora o Deus-homem. É um só individuo, mas possui todas as qualidades essenciais tanto da natureza humana como da divina. Ainda que possua uma só consciência, possui tanto a consciência divina como a humana, bem como a vontade humana e a divina (L. Berkhof, Manual de Doutrina Cristã, Patrocínio: Ceibel, 1992, p.178). 

Em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos traços de uma dupla personalidade de Cristo, pelo contrário, é sempre uma mesma pessoa quem fala, seja com a consciência humana ou divina. As coisas feitas por Cristo são feitas por uma Pessoa e, por conseguinte, são a obra de uma Pessoa toda. É, portanto, impróprio falar das ações de Cristo como sendo da natureza divina ou da natureza humana, isoladamente. As ações de Cristo são as ações de uma Pessoa.

Welerson Alves Duarte,
diretor do Seminário Presbiteriano Conservador Riacho Grande.

Estado laico. Esta é a melhor opção?

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Ateus, budistas e muçulmanos, por exemplo, dizem eles serem constrangidos pela a falta de laicidade do Estado, e que, a presença de símbolos que expressam devoção no cristianismo lhes constrangem .


Dizem eles também que o cristianismo sendo religião oficial de um Estado, seria um absurdo. Porque é uma religião que condena o aborto, divórcio, uso de preservativo e casamento entre homossexuais em um Estado não laico dificilmente haveria espaço para discussão. Consequentemente, isso poderia levar ao aumento de jovens grávidas.


Mas veja o que um escritor americano diz sobre esta posição “inteligente” desses intelectuais.


O cristianismo é excluído das escolas a despeito de (ou por causa de) ser a alternativa à “sabedoria” convencional do sistema estabelecido.
Entretanto, tal “sabedoria convencional”tem provocado enorme aumento de divórcio, aborto, famílias de um só dos pais, filhos criados à solta, drogas, gangues, taxa de crime, AIDS (e outras preocupações relacionadas à saúde, como o ressurgimento da tuberculose), carência de moradias, fome, déficit governamental, impostos, corrupção política, degeneração das artes, mediocridade na educação, falta de competitividade na indústria, reivindicação de “direitos”de todos os tipos, promovida por grupos de interesse (direito sem responsabilidade correspondentes, a expensas de não interessados) e poluição ambiental… Criou uma atmosfera em que a música pop (rap [funk]) incita a matar os policiais. – John Frame, Apologética para a glória de Deus. pags, 34-35.

Reflita, vocês fazem parte desta sociedade, e seus filhos também farão.

Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança. Salmos 33.12

“Todo aquele”. Isso afirma que qualquer um pode escolher ser salvo?

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Quando vamos fazer referência à doutrina maravilhosa e bíblica da predestinação, muitos que tem preguiça e falta de temor, dizem: “Mas nós não somos livres para fazer o que quiser e principalmente escolher Cristo como salvador? Porque na Palavra de Deus há chamados, e escolhas condicionais. Por exemplo:
Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Rm 10.13;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.15;
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Atos 2.21”
Primeiro temos que entender o que significa “todo aquele”, em uma rápida interpretação sem temor de Deus e com preguiça dar-se a entender que a pessoa é livre para ir até Cristo. Mas vamos analisar o que significa aquele.


Aquele: pronome demonstrativo. Indica ou refere-se à pessoa ou coisa citada.
Todo: conjunto completo; total; inteiro.

Farei uma exposição destas três passagens citadas acima, sabendo que existem outros versos na Santa Palavra de Deus que expressa o mesmo sentido, o motivo é para que não seja tão extenso. Logo, se o significado da palavra aquele é uma indicação á uma pessoa citada. Então, temos que, por obrigação, ler o contexto.
Em Romanos 9-11, nestes 3 capítulos, fala mais resumidamente assim: a gloriosa eleição de Deus e Paulo mostra isso em dois personagens bíblicos, Jacó e Esaú, e os que aceitaram a Cristo é porque eram filhos de Abraão mas pela fé. Mas no fim do capitulo 9 Paulo diz que Judeus são culpados por terem rejeitado a Cristo. No capitulo 10 mostra que os judeus rejeitaram a justiça de Deus e que Israel não pode alegar a falta de oportunidade. E no capitulo 11 mostra o futuro de Israel e os que irão ser salvos o “remanescente segundo a eleição da graça.” (Rm 11.5). Então partindo deste versículo “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”, percebe-se que este “todo aquele” refere-se aos eleitos, os filhos de Abraão pela fé. É como se Paulo estivesse dizendo: O conjunto completo dos eleitos quando invocarem o nome do Senhor será salvo. 
Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. Rm 11.7

Em João 3 fala sobre uma conversa de Jesus com um príncipe dos fariseus, Nicodemos. E como é dito no capitulo 2.25, Jesus conhecia a “natureza humana.”. Então, no cap. 3 Jesus diz a este fariseu que para ele herdar o Reino dos Céus, ele tem que nascer de novo, nascer do alto. Uma obra gerada pela Palavra e pelo Espírito Santo (v.5) e logo em seguida, Jesus diz a este fariseu que ele é como a serpente de Moisés levantada no deserto (Nm 21.9), ou seja, assim como os que eram mordidos pelas serpentes e olhava para a serpente de bronze era curados, todo aquele que “olhar” para Jesus será curado, terá vida eterna. Ou seja, todo aquele, o numero completo dos eleitos que nasceram de novo quando crer em Jesus terá vida eterna. É o que o próprio evangelista João diz no capitulo 1.13 que os que aceitaram a Jesus eles “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas [da vontade] de Deus.” João 1.13.

Em Atos 2 fala sobre o cumprimento da profecia dita pelo o profeta Joel, a descida do Espírito Santo. E Pedro, após o cumprimento, faz menção do livro de Joel e justamente da passagem que fala sobre a profecia.
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor; E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Atos 2:17-21.(Joel 2.28-32).

Pedro repreende os críticos que diziam que os que falaram em línguas estavam embriagados, e Pedro diz que eles não estavam (v.15), mas que isso tinha que se cumprir. E Pedro repetindo a profecia, diz que o Espírito de Deus seria, foi, e está sendo derramado sobre todos os tipos de pessoas filhos e as vossas filhas... Jovens... Velhos... Servos... Servas (v.17,18), uma obra diferente da antiga aliança. Mas agora Pedro faz uma declaração ”E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Aquele quem? Aqueles que receberam o Santo Espírito, estes podem crer e agora serem salvos.

Conclusão.
Quando a Palavra de Deus refere-se a “todo aquele”, temos que recorrer ao contexto. Senão cairemos no mesmo erro que muitos fazem até hoje, o livre arbítrio. Quando se refere a este termo, está dizendo que todo aquele mencionado anteriormente ou posteriormente fará tal coisa ou deixará de fazer tal ato.
Não se precipite em tirar conclusões antibíblicas.














O templo judaico - Será que vai ser reconstruído?

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Entre os elementos evangélicos e fundamental do cristianismo moderno, parece haver uma paixão estranha com tudo o que é considerado "judeu". Há atualmente uma forte ênfase a ser colocada sobre a Torá judaica, tradições judaicas, a história judaica, xales de oração judeu, símbolos judaicos, músicas judaicas, direitos dos judeus, a terra judaica e o povo judeu. Durante os últimos 40 anos em nossas igrejas não vem ocorrendo uma grande mudança a partir de um centrado em Cristo para uma teologia centrada no homem. Em nenhuma área do pensamento teológico é esta mudança mais evidente do que na escatologia (a doutrina das últimas coisas), geralmente conhecido como profecia. Surpreendentemente, o objeto primordial da maioria ensino profético é centrada em um povo conhecido como os judeus. Onde uma vez eclesiologia (doutrina da Igreja) e soteriologia (doutrina da salvação) foram pregada com poder e autoridade espiritual, deu agora lugar a uma mensagem de Judaistica preeminência.

 

Há ministérios que são totalmente dedicados a promover a causa judaica na Palestina, em total desrespeito aos direitos e bem-estar dos outros ocupantes da terra. Atualmente, devido à influência dos meios de comunicação seculares, o púlpito "cristão" tem tomado partido no conflito do Oriente Médio, fechando os olhos para os fatos bíblicos da história e da profecia.

Fetichismo Religioso

A área na cidade de Jerusalém, conhecida como o "Muro das Lamentações" agora se tornou um santuário sagrado para muitos equivocados cristãos americanos [e brasileiros]. Um ministério está pedindo que as pessoas enviam seus pedidos de oração para eles para que eles possam, por sua vez levá-los a ser inseridos nas fendas do Muro das Lamentações. Isso equivale a nada menos do que o fetichismo religioso. O Muro das Lamentações era uma vez uma parte da maior área do templo de Herodes, que foi destruído no ano 70 pelos romanos.

 

O próprio Jesus previu a destruição do antigo templo ea ordem pervertida religiosa que ela representava. Durante 600 anos antes do ministério terrestre de Jesus, durante os dias de Jeremias, o Senhor repreendeu o povo de Judá para justificar seus maus caminhos, usando sua devoção ao templo físico como uma cobertura religiosa.

 

“A palavra que da parte do SENHOR, veio a Jeremias, dizendo:
Põe-te à porta da casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR.
Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar.
Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este.
Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras; se deveras praticardes o juízo entre um homem e o seu próximo;
Se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal,
Eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.
Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam.
Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes,
E então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações?
É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR.
Mas ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, ao princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo Israel.
Jeremias 7:1-12

"(Jr 7:1-12).

Templo Reconstruído?

Em vez de dizer o povo judeu para se arrepender e aceitar Jesus Cristo e Seu poder para mudar as suas vidas pelo poder do Espírito Santo, a ênfase de uma grande maioria da "direita" igreja cristã é arrecadar dinheiro para fins sociais e humanitários de causas judaicas. Uma questão que parece ser fundamental na teologia dispensacional moderna é que um templo judaico restaurado deve ser construído em Jerusalém. O Domo da Rocha, onde está atualmente localizado muitos dispensacionalistas acreditam que novo templo judeu precisa ser reconstruído. Em seu desespero para contornar esse problema do lugar sagrado islâmico e a atitude inflexível dos muçulmanos para que permaneça, alguns sionistas cristãos têm pesquisado novamente a área. Eles "descobriram" que o futuro templo judaico pode ser construída ao lado da mesquita islâmica e ainda cumprir as exigências de suas aspirações proféticas.

 

Outro problema para muitos futuristas é que eles não têm certeza se o templo futuro será uma "tribulação" templo ou um templo "milenar". Como um templo "tribulação", o anticristo alegada vai sentar-se nele. Como um templo "milenar", o próprio Jesus irá residir lá e sentar-se sobre um trono judeu e reinar sobre toda a terra. A única resposta para esta questão teológica é descobrir a história dos templos do Antigo Testamento como registrado na Palavra de Deus. A atitude de Deus para templos terrenos é claramente visto como Ele permitiu que seis templos para ser construído e depois destruído ou entrar em decadência.

Templos históricos

1) O Tabernáculo de Moisés

Logo após o êxodo de Israel do Egito, o Senhor deu a Moisés as instruções quanto à construção do tabernáculo. Este tabernáculo era para ser construído a partir das ofertas do povo e considerado como santuário de Deus. O Senhor declarou que isso seria um lugar "para que eu possa habitar no meio deles". "E aí eu virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório ..." (Êxodo 25:18, 22).

Esta morada de Deus entre Israel foi ainda preenchido com a glória do Senhor, na medida em que Moisés não podia entrar como mediador para o seu povo (Êxodo 4:34-35). Apesar da extrema importância deste tabernáculo na vida espiritual e cultural de Israel, que durou apenas 40 anos mais e deu lugar à decadência.

 

2) O Tabernáculo de Siló

Depois que os filhos de Israel atravessou o rio Jordão para a terra de Canaã, eles ergueram uma tenda em Silo. Josué registra: "E toda a congregação dos filhos de Israel se reuniu em Siló, e ali armaram a tenda da congregação lá" (Jos.18: 1).

Esta estrutura física durou cerca de 450 anos, em todo o período dos juízes até o tempo do profeta Samuel. Foi neste tabernáculo que Eli serviu como Sumo Sacerdote e onde o jovem Samuel ouviu o Senhor chamá-lo três vezes. Quando Israel saiu para lutar contra os filisteus, a Arca da Aliança, que residiram no Tabernáculo Siló, foi capturado por forças inimigas. Tanto a Arca ea Glória de Deus partiu deste tabernáculo, e nunca mais voltou. (Veja I Samuel 1-8). Este tabernáculo finalmente entrou em decadência e ruína.

 

3) Tenda de Davi

Um dos primeiros atos como rei sobre o Reino Unido de Israel, Davi trouxe a Arca de Deus para Jerusalém. Esta era uma estrutura temporária que Davi tinha feito, e "eles trouxeram a arca do Senhor, e a puseram no seu lugar, no meio da tenda que Davi tinha armado para ela:" (II Sam 06:17.). Conta o de registros Crônicas que: "Davi fez para si casas na cidade de Davi, e preparou um lugar para a arca de Deus, e armou-lhe uma tenda" (I Cr 15:1.). Esta estrutura foi temporária e durou apenas 40 anos.

 

4) O Templo de Salomão

Esta estrutura permanente e magnífica que o rei Salomão tinha construído teria sido considerado como uma das maravilhas do mundo antigo. O relato bíblico diz: "Assim, toda a obra que Salomão fez para a casa do Senhor foi concluída, e trouxe Salomão as coisas que seu pai Davi tinha consagrado, a prata, eo ouro, e todos os instrumentos, colocar ele entre os tesouros da casa de Deus "(II Cr. 5:1). O próprio Senhor consagrou este templo por manifestar a Sua glória visível no momento de sua dedicação. Este foi sinal de aprovação de Deus por todo o trabalho que foi feito, porque: "Agora, quando Salomão tinha acabado de orar, desceu o fogo do céu, e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor enchia a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do SENHOR tinha enchido a casa do Senhor "(II Cr. 7:1-2).

 

Independentemente do fato de que esse templo era considerado o lugar da habitação de Deus na Terra, ele também só durou cerca de 350 anos. Deus permitiu que este templo fosse destruído pelos babilônios durante a sua captura e destruição de Jerusalém em 596 aC.

 

5) Templo de Zorobabel

Após os 70 anos de exílio na Babilônia mais de 42.000 judeus voltaram para Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias. Eles reconstruíram a cidade e o templo. Esdras registra: "E esta casa foi consumada" (Esdras 6:15) e fizeram sacrifícios para Deus na dedicação do novo templo. Foi aqui onde o Ageu profetas e Zacarias encorajou-os no trabalho. Esta estrutura teve a duração de cerca de 400 anos, até o tempo da era Macabeus.

 

Foi neste templo que o rei da Síria, Antíoco ofereceu um porco no altar. Isso exigiu um re-dedicação que ficou conhecido como a festa judaica das luzes. A Arca da Aliança nunca residiu neste templo, nem o Senhor manifestou a Sua Glória nele.

 

6) Templo de Herodes

Este magnífico templo foi construído durante o reinado do rei Herodes, o Grande. Sua construção começou em 19 aC e levou 46 anos para ser concluído. Herodes, que era um edomita pelo sangue e pela religião judaica construiu este e outros edifícios cívicos para congraçar-se com o povo judeu.

 

Jesus foi para o templo muitas vezes durante Seu ministério terreno, mas foi limitada apenas à área do pórtico de Salomão. Não há indicação de que Ele nunca entrou em quaisquer salas interiores ou o Lugar Santo. Foi neste templo que Ele se refere em Mateus capítulo 24, quando Ele profetizou sua destruição total. Este templo nunca foi santificado pela glória manifesta de Deus e foi totalmente destruída pelos romanos em 70 dC. Durou por não mais de 90 anos.

 

A partir do exemplo acima dos seis tendas físicas e templos que foram uma vez conhecida como a "Casa de Deus", é óbvio que a dispensa de um terreno do templo "sagrado" acabou. Estêvão, o primeiro mártir cristão, repetiu as palavras do profeta Isaías, quando ele declarou: "

Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:
O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?
Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?

" (Atos 7:48-50).

Se quando os cristãos sionistas e judeus conseguem construir um templo moderno, em Jerusalém, que não irá de forma alguma ser a Casa de Deus. Ela será apenas uma estrutura física que irá representar os esforços equivocados dos homens, devido aos pontos de vista heréticos proféticas de dispensacionalismo. Jesus Cristo é capaz de destruir qualquer novo edifício que seria um substituto blasfêmia do verdadeiro templo, que é o Seu corpo.

 

Futuristas muitos erroneamente aplicam a profecia do templo de Ezequiel (capítulos 40-48) como prova de um templo reconstruído física em Jerusalém antiga. No conselho da primeira igreja registrada em Atos 15, Tiago repete a profecia de Amós 9:11, que é o tabernáculo de Davi que vai ser reconstruído. Esta não é a tenda temporária que Davi construído para a Arca. O verdadeiro tabernáculo de Davi, como pode ser visto a partir do contexto do testemunho de Paulo e os demais apóstolos, é um tabernáculo espiritual está sendo construído pelo ministério do Espírito Santo.

 

O verdadeiro templo

O Templo do Seu Corpo

Logo no início do ministério terrestre de Jesus, durante um confronto com os judeus, o Senhor deixou claro que Ele mesmo era o verdadeiro Templo de Deus. O apóstolo João registrou: "

Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto?
Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?
Mas ele falava do templo do seu corpo."(João 2:18-21).

 

O autor de Hebreus falou de Cristo como um sumo sacerdote que serviu em uma "tenda maior e mais perfeita, não feita por mãos" (Hb 9:11). Quando o escritor de Hebreus passou a dizer: "Quer dizer, não desta criação," ele estava se referindo ao templo físico de Herodes, que ainda estava em pé na redação da letra hebraica.

 

O Templo do Espírito Santo

O apóstolo Paulo diz inequivocamente claro que o corpo do crente nascido de novo é a morada do Espírito de Deus. O verdadeiro templo de Deus não está limitada a um determinado edifício em uma localização geográfica na terra. "Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes da parte de Deus, e vós não sois de vós mesmos.

 

Porque fostes comprados por bom preço? Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e em seu espírito, que são de Deus” (I Coríntios. 6:19-20). "E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos para vós sois o templo do Deus vivo;? Como Deus disse: Eu habitarei neles, e entre eles andarei, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo "(II Coríntios. 6:16).

 

Nova Jerusalém

É extremamente importante na descrição que nos foi dada pelo apóstolo João "da cidade santa, a nova Jerusalém, que desce de Deus, do céu" (Ap 21:2) que não havia templo físico. Na verdade, ele registra: "E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro" (Apocalipse 21:22). João continua a dizer que "ouviu uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e ele habitará com eles, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles, e será o seu Deus "(Ap 21:3).

 

Sendo que o verdadeiro templo de Deus, são os santos e as resgatadas do verdadeiro Israel, na cidade da Nova Jerusalém, que é construído apenas pelo Espírito Santo, não há necessidade de um templo terreno feito pelo homem a ser construído na cidade velha de Jerusalém. Se for construído, será apenas uma paródia do verdadeiro templo e Deus vai destruí-lo.

 

Fonte: Historicist

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  ANTROPOLOGIA UMA PERSPECTIVA REFORMADA


INTRODUÇÃO



“Aparentemente, ao menos podemos ignorar Deus; não podemos ignorar o homem. A questão: quem é Deus? Pode ser considerada como irrespondível, ou antiquada, ou desinteressante, mas ninguém diria o mesmo quanto a questão: quem é o homem?”.[1]

 A antropologia significa, “a ciência que estuda o homem”[2]  portanto como ponto de  partida para a existência passou a ser profundamente pesquisado tanto por filósofos como por teólogos.
O homem foi criado moralmente imaculado “do pó da terra” depois recebeu “sopro da vida” e se tornou “alma vivente”(Gn 2:7). Como uma criação especial diretamente de Deus, desfrutava dos privilégios dados pelo próprio Criador, e um dos maiores privilégios era a comunhão contínua entre criador e criatura.
Ele foi colocado sob uma prova, um período de experiência claramente comprometido, com uma proibição especifica em seu coração. A desobediência inicial do homem trouxe consequências radicalmente negativas, tanto sobre o primeiro casal como seus descendentes.
 O homem que desfrutava de uma natureza com a qual expressava a real “imagem e semelhança” de Deus, agora tem sua natureza distorcida  maculada e totalmente corrompida.
  O coração do homem passou a ser mal continuamente. A partir dessa tragédia nós temos conflitos e a sociedade está agora manchada de tal maneira que precisa ser restaurada, e isso só se dará quando houver uma volta ao Deus das Escrituras por meio de Cristo, é o que veremos, mas afrente.
Quero destacar que o material que irei expor tem como base os estudos da apostila de teologia sistemática do Rev. Donizete Rodrigues Ladeia do qual o mesmo leciona aulas no AGS. Instituto bíblico Presbiteriano Rev. Ashbel Green Simonton, tentando interagir com outros autores.

1.   A origem do homem


O homem, “não cresceu nem; tampouco foi produzido mediante algum processo de desenvolvimento”[3]. “a concepção cristã da criação do homem encontra sua base e fundamento na palavra de Deus”.[4] “uma das pressuposições básicas da concepção cristã do homem é a fé em Deus como criador, que conduz a compreensão de que a pessoa humana não existe autônoma ou independentemente, mas como criatura de Deus”.[5] “...Criou Deus pois o Homem...” ( Gn 1:27). “A Bíblia já parte da certeza da existência de Deus (Sl: 90.2), e de forma especial que ele criou o homem, podemos dizer “forma especial” o homem foi criado de conformidade com o Conselho de sua vontade (Ef. 1: 11), conforme o seu prazer (Sl:115; 3; 135: 6). Por isso o texto bíblico: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn. 1: 26)”[6]. “A crença na criação não nega que o homem seja diferente do mundo; pelo contrário, reconhece isto quando diz que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus; isto significa, porém que não podemos falar de “criaturidade” sem lidar ao mesmo tempo com a verdade de que o homem foi criado à imagem de Deus”.[7] Não devemos pensar nem mesmo admitir, que o homem seja uma obra de evolução, pelo contrário a Bíblia nos dar o verdadeiro sentido da origem humana, e essas verdades são Deus o criou. “isto constitui o homem  como a maior obra da criação de Deus, a única parte da ordem criada capaz de entra em comunhão com o Criador”.[8]


2.   A criação é conforme o conselho da trindade


O apóstolo Paulo em (Rm 11: 33) após ter tratado do plano soberano de Deus, expressa em uma doxologia à profundidade insondável da sabedoria do Senhor; o Apóstolo faz uma pergunta retórica “quem foi seu conselheiro?”, portanto nós podemos olhar para o livro de Genesis e ver Deus agindo pelo seu próprio conselho “façamos”.  “O  “ haja” impessoal  (ou seus equivalentes) dos sete atos criativos anteriores é substituído pelo “façamos” pessoal. Somente na criação da humanidade é anunciada de antemão a intenção divina”.[9] O Rev. Donizete, citando Rev. Hermisten diz: “O “façamos” de (Gênesis 1: 26) é uma forma pela qual entendemos Deus fazendo uma consulta a si mesmo, na pessoa do Pai, Filho e Espírito Santo. Isso identifica que Deus resolveu fazer algo grande e maravilhoso, bem como nos dirigir a atenção para a dignidade de nossa natureza”.[10]


3. O homem como imagem e semelhança de Deus


Certa vez eu perguntei para uma jovem, que chegou a livraria, se ele saberia responder o que significa: “imagem e semelhança”? Ele, apressadamente respondeu:  “ imagem, é nariz, boca, olhos”; eu tomei a fala e novamente perguntei o que significa “semelhança”? Ele, não diferente da primeira resposta logo disse: “é o que não é igual é semelhante”. Dai eu logo percebi que ele não tinha conhecimento de Antropomorfismo e Antropopatismo, e nem do que significa “imagem e semelhança”. Mas na verdade o que significa “imagem e semelhança”? O  Rev. Hermisten, aponta alguns aspectos muito interessante sobre essa questão:

a)     A personalidade: O homem foi criado um ser pessoal com consciência e determinação própria; ele faz distinção entre o eu, o mundo e Deus; dai a capacidade  de se relacionar com o Criador (Gn 3:8-14) e com seu semelhante (Gn 3:6), podendo entender a vontade de Deus, fazer-se entender e avaliar todas as coisas ( Gn 1:28-30; 2:18-19).

b)    Justiça e Santidade: O homem não foi criado um ser neutro entre o bem e o mal; foi formado bom, santo, como Deus o é de forma absoluta. Na avaliação do seu criador, tudo “ era muito bom” ( Gn 1:31). A santidade e retidão originais do homem não significam simplesmente inocência, mas o desejo inerente de ter maior comunhão com Deus e agradar-lhe; havia perfeita harmonia entre o seu ser e a lei divina. A santidade dependia fundamentalmente dessa comunhão com o Criador ( Ef 4:24; Ec 7:29).

c)     Liberdade: Adão dispunha de plena liberdade para escolher o melhor para si, não havendo em sua natureza a semente do pecado para influenciá-lo à desobediência. A liberdade pressupõe a responsabilidade; o Criador formou o homem livre e responsável pelos atos ( Gn 2:16-17; 3:6-24)

d)    Conhecimento espiritual: ( Cl 3:10) Adão, antes de pecar, tinha compreensão genuína respeito de Deus. A compreensão não era exaustiva, visto ser Deus infinito e inesgotável. Adão também ignorava, em seu primeiro estado... o amor redentor de Deus...

e)     Imortalidade: O homem foi criado para viver eternamente – corpo e alma. Ele teve principio, mas não teria fim. Fomos criados para vivar ternamente em comunhão com Deus ( Gn 2:17;3:19;Rm 5:12;6:23;1Co 15:20-21).

f)      Espiritualidade: ( Gn 2:7) o homem não é apenas corpo, ele foi criado e dotado de corpo e alma, com anseios espirituais que se concretizam na sua comunhão com o Criador. O homem, como parte da criação, é tomado do pó da terra, matéria já existente, contudo, igualmente criada por Deus ( Gn 2:7; 3:19). Todavia, como imagem de Deus, recebe deste uma alma eterna e imortal, a qual retornará ao Criador, como matéria, voltará ao pó, até que a alma e o respectivo corpo sejam unidos outra vez para o juízo ( Gn 3:19; Ec 12:7;Mt 10:28; Lc 8:55;2Co 5:1-8;Fp 1:22-24)

g)     Domínio sobre a natureza: um dos aspectos da imagem de Deus no homem é o domínio legítimo, pacífico e prazeroso sobre a natureza (Gn 1:26-27;Sl 8:5-8). A criação estava naturalmente sobre o seu domínio. Deus demonstrou o poder concedido ao homem, partilhando com ele o direito de dar nome (classificando as espécies ) aos animais ( Gn 2:19-20).[11]

Nós podemos ver que de uma maneira sintética e ao mesmo tempo abrangente aqui, é apresentado o significado da “imagem e semelhança” de Deus.


4. Elementos essenciais da natureza humana


Certa vez fui trocar a corrente da moto do meu Pai, e comecei a desmontar, sabe o que deu? Tirei tantas peças que não tive mais condições de montar no final, dividir tanto que não conseguir, mas ajuntar. E, é isso que acontece com a posição tricotômica, divide tanto o homem, que tem dificuldades de ajuntar no final. Nós temos dois pontos que mais se destaca com relação ao que constitui o homem, “tricotomia e dicotomia” é sobre esses dois pontos que quero me ater.

1)   Tricotomia: essa posição acredita que o homem é constituído de três partes: corpo, alma e espírito. O primeiro elemento é o corpo físico:

“A natureza física é algo que temos em comum com os animais e as plantas. A diferença é de grau, já que os homens têm estrutura física mais complexa. A segunda parte da pessoa humana é a alma. Esse é o elemento psicológico, a base da razão, da emoção, das relações sociais e etc. O terceiro elemento é o espírito. Esse elemento religioso permite aos homens perceber questões espirituais e reagir aos estímulos espirituais”.[12]

 Tratando sobre a tricotomia, o Teólogo Charles Hodge diz: “É de a maior importância observar que a doutrina bíblica se opõe à tricotomia, ou a doutrina de que o homem consiste em três substâncias distintas, corpo, alma e espírito; soma, psyche e pneuma: corpus, anima e animus. Esta visão da natureza do homem é da maior importância para teólogo, porque não apenas tem sido sustentada em maior ou menor grau na Igreja, mas também por influenciar em grau máximo a forma em que outras doutrinas tem sido apresentadas, e porque tem uma aparência de ser sustentada pelas próprias escrituras”.[13]



5. Argumentos a favor da tricotomia



O teólogo Wayne Grudem, destaca alguns argumentos a favor e também contra  sobre essa visão: Os que adotam a posição tricotomista buscam apoio em várias passagens das Escrituras. Relacionamos abaixo as mais comumente usadas.
1. 1tessalonicenses 5.23. “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23). Esse versículo porventura não fala claramente que o homem tem três partes?
2. Hebreus 4.12. “A palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12). Se a espada das Escrituras divide a alma e o espírito, esses não seriam então elementos distintos do homem?
3. 1coríntios 2.14-3.4. Essa passagem trata de diferentes tipos de pessoas, daqueles que são “carnais” (gr. sarkinos, 1Co 3.1); do que é “não espiritual” (gr. psychikos, lit. “almal”, 1Co 2.14); e daquele que é “espiritual” (gr. pneumatikos, 1Co 2.15). Acaso essas categorias não sugerem tipos diferentes de pessoas — os não cristãos “carnais”, os cristãos “naturais” que seguem os desejos da alma e os cristãos mais maduros que seguem os desejos do espírito? Será que isso não sugere que alma e espírito são elementos distintos da nossa natureza
5. O argumento da experiência pessoal.
Muitos tricotomistas dizem que têm uma percepção espiritual, uma consciência espiritual da presença de Deus, que os afeta de um modo que eles sabem ser diferente do pensamento comum e também das emoções.
6. É nosso espírito que nos faz diferentes dos animais.
 Alguns tricotomistas argumentam que homens e animais têm alma, mas sustentam que é a presença do espírito que nos faz diferentes dos animais.
7. O espírito é aquilo que recebe vida na regeneração.
Os tricotomistas também afirmam que, quando nos tornamos cristãos, nosso espírito recebe vida: “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça” (Rm 8.10).

6. Respostas aos argumentos em favor da tricotomia

1. 1Tessalonicenses 5.23. 
Em 1Tessalonicenses 5.23, Paulo não diz que a alma e o espírito são entidades distintas, mas simplesmente que, seja qual for o nome que se dê à nossa parte imaterial, ele quer que Deus continue a nos santificar em tudo até o dia de Cristo.
2. Hebreus 4.12.
Esse versículo, que fala que a Palavra de Deus “penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas”, deve ser compreendido como 1Tessalonicenses 5.23. O autor não diz que a Palavra de Deus pode dividir “a alma do espírito”, mas lança mão de vários termos (alma, espírito, juntas, medulas, pensamentos e propósitos do coração) que falam dos profundos elementos íntimos do nosso ser que não se ocultam ao poder penetrante da Palavra de Deus.
3. 1Coríntios 2.14-3.4.
Paulo certamente distingue a pessoa “natural” (gr. psychikos, lit. “alma”) da “espiritual” (gr. pneumatikos, “espiritual”) em 1Coríntios 2.14-3.4. Mas nesse contexto, “espiritual” parece significar “influenciado pelo Espírito Santo”, pois toda a passagem fala da obra do Espírito Santo de revelação da verdade aos crentes. Nesse contexto, “espiritual” pode praticamente ser traduzido como “Espiritual”.
4. 1Coríntios 14.14.
Quando Paulo diz: “Meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera”, quer dizer que não compreende aquilo que está orando. Sugere sem dúvida que há um elemento não físico no seu ser, um “espírito” dentro dele que pode orar a Deus. Mas nada nesse versículo sugere que ele considere o seu espírito como algo distinto da sua alma.
5. O argumento da experiência pessoal.
Os cristãos têm uma “percepção espiritual”, uma consciência íntima da presença de Deus vivenciada na adoração e na oração. Nesse profundo nível íntimo podemos também às vezes nos sentir espiritualmente angustiados, ou deprimidos, ou quem sabe ter a sensação da presença de forças demoníacas hostis. Muitas vezes essa percepção se distingue da nossa consciência, dos processos mentais racionais. Paulo percebe que às vezes seu espírito ora sem que sua mente compreenda (1Co 14.14).
6. O que nos faz diferentes dos animais?
É verdade que temos capacidades espirituais que nos fazem diferentes dos animais: somos capazes de nos relacionar com Deus por meio de adoração e oração e gozamos de vida espiritual em comunhão com Deus, que é espírito. Mas não devemos supor que temos um elemento distinto chamado “espírito” que nos possibilita fazê-lo, pois com a mente podemos amar a Deus, ler e compreender as suas palavras e crer que sua Palavra é verdadeira.
7. Será que o espírito recebe vida na regeneração?
O espírito humano não é algo morto num descrente, mas recebe vida quando a pessoa professa fé em Cristo, pois a Bíblia fala que os descrentes têm um espírito evidentemente vivo, mas rebelde diante de Deus — seja Seom, rei de Hesbom (Dt 2.30: o Senhor endureceu “o seu espírito”), seja Nabucodonosor (Dn 5.20: “o seu espírito se tornou soberbo e arrogante”), seja o povo infiel de Israel (Sl 78.8: seu “espírito não foi fiel a Deus”). Quando Paulo diz que seu “espírito é vida, por causa da justiça” (Rm 8.10), aparentemente quer dizer “vivo para Deus”, mas não sugere que antes nosso espírito estivesse completamente “morto”; apenas que vivia afastado da comunhão com Deus, e nesse sentido estava morto.
8. Conclusão. Embora os argumentos a favor da tricotomia tenham alguma força, nenhum deles proporciona prova concludente que supere o amplo testemunho bíblico que mostra serem os termos alma e espírito muitas vezes intercambiáveis e em muitos casos sinônimos[14]

7. Outras objeções à tricotomia

Assim como, os dispensacionalistas  dividem a Bíblia de uma forma errada, os tricotomistas também dividem o ser humano. “Muitos argumentos a favor do dicotomismo são, em essência, argumentos contra a concepção tricotomista”.[15] “A dicotomia é a visão mais bíblica, pois a Bíblia usa indistintamente as palavras alma e espirito ( Mt 10:28; 1Co 7:34)”.[16]

A tricotomia se “opõe ao relato da Criação do homem tal como aparece em Genesis 2:7. Segundo este relato, Deus formou o homem do pó da terra e depois soprou nele o folego da vida”.[17] Através, ou a partir deste texto nós podemos perguntar para um tricotomista, de onde surge o terceiro elemento constitutivo do homem?.
Há outro ponto que os tricotomistas devem resolver: se a alma é os sentimentos como os mesmos defender, então não existe condenação para o homem. Por que Jesus disse: “não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. [18] a partir deste versículo o que vai perecer no inferno não é o homem e sim seus sentimentos, se de fato a alma são os sentimentos. O Rev. Donizete aponta duas posições negativas da posição tricotômica:
a)     Não valoriza a criação

Que devemos escapar do mundo material, afinal a alma é uma parte de prisão, do corpo. Para ele somente a parte do espírito é realmente boa. Mas não é isso que ouvimos Deus dizer sobre o valor que o próprio Deus dá a sua criação (Gn. 1: 31), o corpo deve, portanto ser oferecido em serviço a Deus é nisso que temos o verdadeiro significado.


b)    É antiintelectualista

Quando se concebe o espírito como o elemento humano que se relaciona mais diretamente com Deus, e se cremos que o espírito é algo distinto do intelecto, das emoções e da vontade, podemos facilmente cair numa espécie de antiintelectualismo, contrário a Bíblia: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc. 12: 30). E mais: “e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co. 10:5).[19]

Desde o começo deste estudo nós falamos do homem como criado do pó da terra com o sopro divino. Mas de onde vem a alma do homem a partir de Adão? “Alguns teólogos defendem a noção de que Deus cria as almas das pessoas diretamente”.[20] Mas é o que veremos adiante.


8. Teorias quanto à origem da alma

Ø Preexistência
Ø Transferência ( traducionismo)
Ø Criação imediata

Preexistência:  “O platonismo inspirou a crença de que a alma desfrutaria de uma existência mais elevada antes de seu ingresso no corpo humano. Essa ideia coexistiu frequentemente com a noção de uma queda pré-cósmica e da transmigração da alma”.[21] Essa ideia também, preconiza que as almas das pessoas existem no céu muito antes dos corpos serem concebidos no ventre das mães, e que Deus depois traz a alma à terra, unindo-a ao corpo do bebê enquanto ele se desenvolve no útero”.[22] “A preexistência, como ensinada por Orígenes, como adotada aqui e ali por uns poucos filósofos e teólogos, não é a doutrina platônica de um mundo ideal. Supõe-se que as almas humanas tiveram uma existência separada, consciente e pessoal, em um estado prévio; que, havendo pecado neste estado de preexistente, elas são condenadas a nascer neste mundo em um estado de pecado e em conexão com um corpo material”.[23] Essa teoria não tem muita aceitação, o teólogo Berkhof explica alguns pontos negativos segundo essa visão.

Objeções ao Preexistencialismo“Entendemos que tal teoria não tem respaldo na Escritura. Na realidade, contradiz o ensinamento de Paulo de que todo pecado e morte é resultado do pecado de Adão. Desta forma, com o preexistencialismo, a alma é sem pecado e entra depois em um estado de pecado. Podemos dizer que se o homem é corpo e alma, ele é meio culpado, a alma é inocente. Ou então, a alma entra no homem sem nenhum conhecimento, isto torna incoerente com os pontos filosóficos anteriores, que querem explicar que o homem tem uma ciência que vem do lugar de onde estavam as almas”. [24] A partir desta definição nós podemos entender que a ideia de preexistência da alma é uma afirmação que não tem respaldo bíblico.

Traducionismo: Esta visão, “sustenta que a alma e o corpo da criança são herdados dos pais no momento da concepção. Ambas as teses tiveram defensores numerosos ao longo da história da igreja, tendo afinal prevalecido o criacionismo na Igreja Católica Romana. Lutero era a favor do traducionismo, enquanto Calvino favorecia o criacionismo. Por outro lado, alguns teólogos calvinistas posteriores, como Jonathan Edwards e A. H. Strong favorecem o traducionismo (como o faz a maioria dos luteranos hoje). O criacionismo também tem muitos defensores evangélicos modernos”.[25]Quanto ao traducionismo à tese é que Deus criou o homem à sua própria imagem (Gn. 1: 27), e que essa semelhança abarca a incrível capacidade de “criar” outros seres humanos como nós. Portanto, isso implica que as almas dos filhos de Adão derivam do próprio primeiro casal”.[26] Para alguns teólogos como por exemplo: Franklin Ferreira e Alan Myatt, o traducionismo “é a explicação menos problemática para a propagação da alma humana”.[27]


Conclusões


Concluirmos, portanto que o criacionismo é de alguma forma a definição mais correta como afirma o Rev.  Donizete, que o criacionismo:


1)    Não encontra a insuperável dificuldade filosófica que pesa sobre o Traducionismo;
2)    Evita erros cristológicos que o Traducionismo envolve; e
3)    Harmoniza-se mais com a idéia de aliança
4)    Evita o erro de que a alma é divisível
5)    Que todos os homens são numericamente da mesma substância
6)    Que Cristo assumiu a mesma natureza de Adão.

RE KARIS TU RIMOM KÍRIOS IESUS CRISTU KAI RE ÁGAPE MEGA RE KAI COINONIA TU RAGÉRIOS PNEÚMATOS METÁ PAMTON RIMOM


[1] Brunner Emil, Dogmática fonte editorial p73 2006
[2] Ladeia R Donizete. Apostila teologia sistemática institubiblicoags,2009-2010
[3] Hodge Charles , Teologia Sistemática p485 São Paulo:Hagnos 2001
[4] Costa Hermisten Maia .Pereira Fundamentos da Teologia Reformada , p 47 são Paulo: Mundo Cristão 2007
[5] Hoekema Antony, Criados a Imagem de Deus p 16 são Paulo: Cultura Cristã 2010

[6] Ladeia R Donizete. Apostila teologia sistemática a natureza do homem-institutobiblicoags, 2009-2010
[7] Brunne,r Emil. Dogmática fonte editorial p84 2006
[8] Guthrie, Donald.  Teologia do novo Testamento p118 São Paulo Cultura: Cristã 2011
[9] Waltke, Bruce k. Comentário do Antigo Testamento p74 São Paulo: Cultura cristã 2010
[10]Costa, Hermisten, Maia Pereira. Antropologia Teológica. Uma visão bíblica reformada. Maringá: Pensador Cristão. [s.d], p. 22.
[11] Ver também: Fundamentos da Teologia Reformada p 56-58 São Paulo:  mundo Cristão.
[12] Erickson Millard J. Introdução a Teologia Sistemática p228 São Paulo: Vida Nova 1997
[13] Hodge Charles Teologia sistemática p518 São Paulo: Hagnos 2001
[14] Grudem Wayne Teologia Sistemática, A doutrina do Homem são Paulo: Vida Nova p 361-434
[15] Erickson Millard J. Introdução a Teologia Sistemática p229 São Paulo: Vida Nova 1997
[16] Antônio de Lima Leandro. Razão da Nossa Esperança-Teologia Para Hoje p 161 São Paulo: Cultura Cristã 2006.
[17] Hodge Charles Teologia sistemática p519 São Paulo: Hagnos 2001
[18] Mateus 10:28
[19] Ladeia R Donizete. Apostila teologia sistemática a natureza do homem-institutobiblicoags,2009-2010
[20] Ferreira Franklin. Teologia Cristã, Uma Introdução a Sistematização das Doutrinas p96-São Pulo Vida Nova 2011.
[21] Ferguson Sinclair B. Wright David F. Packer I. J Novo Dicionário de teologia- São Paulo: Hagnos 2011.
[22] Grudem Wayne Teologia Sistemática, A doutrina do Homem são Paulo: Vida Nova p 361-434
[23] Hodge Charles Teologia sistemática p533 São Paulo: Hagnos 2001
[24] Ladeia R Donizete. Apostila teologia sistemática a natureza do homem-institutobiblicoags,2009-2010
[25] Grudem Wayne Teologia Sistemática: A doutrina do Homem são Paulo: Vida Nova p 361-434
[26] Ladeia R Donizete. Apostila teologia sistemática: A natureza do homem-institutobiblicoags, 2009-2010
[27] Ferreira Franklin, Myatt Alan. Teologia Sistemática: Uma analise histórica, bíblica, e apologéticap –São Paulo: Vida Nova 2007.

 
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